Papa abraça criançasO Papa Bento XVI esteve no Brasil durante os dias 9 e 14 de maio. Se você é brasileiro, logicamente você já sabia disto. Mas talvez não saiba do principal motivo da visita do papa ao nosso país.

Os motivos mais noticiados da presença de Bento XVI foram a abertura do V CELAM (Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano) e a canonização de Frei Galvão. Segundo Altamiro Borges, do Correio do Brasil, uma das razões seria a preocupação da igreja com a perda de fiéis.

De fato, todos os motivos acima apresentados foram tratados com a visita do papa no Brasil, mas por si só eles não justificam sua visita. Afinal de contas, de acordo com a tradição da Igreja Católica, os santos são normalmente canonizados em cerimônia no Vaticano; a CELAM também não precisa da presença do papa para ser iniciada. Ele faz a convocação, decide o tema e abre a conferência, mas não precisa estar presente, como aconteceu por exemplo em 1955, quando o Papa Pio XII abriu a I CELAM através de uma carta.

Ah, então o papa veio realmente preocupado com a perda de fiéis? O Brasil sempre foi o país com maior número de católicos no mundo. Mas nunca foi o país com a maior porcentagem de católicos. Hoje, quase todos os países da américa do sul possuem entre 80 a 95% de católicos, contra a média de 60 a 70% do Brasil. De acordo com o IBGE, o país já teve, em 1980, 89% da população dizendo-se católico, sendo 94% cristãos.

De lá pra cá, cresceram o número de protestantes, ateus, agnósticos e espíritas. Mas o problema maior não é a diminuição do número de católicos. E sim a diminuição do número de cristãos. O Cristianismo caiu de 94% para 87% da população. E isso deve-se principalmente à (má) influência da mídia no cotidiano das pessoas. A mídia atual (para vender mais?) prega o individualismo, a ambição, a competição, o status social e a felicidade a qualquer custo. E neste âmbito, crescem as religiões (ou movimentos) de auto-ajuda e auto-conforto, caindo por terra os principais valores deixados por Jesus Cristo.

É aí que entra o principal motivo do papa no Brasil: você, jovem! Os jovens de hoje são aqueles que nasceram na década de 80 e início da década de 90. E são os principais alvos da mídia que desde aqueles anos vem atacando os valores cristãos, principalmente a família e a fraternidade. É por isso que o Papa gastou muito com o seu tempo com os jovens, além de tocar em diversos outros assuntos (alguns bastante polêmicos) , tais como: aborto, probreza, castidade e drogas.

Do dia seguinte à sua chegada, o Papa fez seu Encontro com os Jovens, no Pacaembu, com a presença de aprox. 40 mil pessoas. Este encontro foi marcado pela alegria, diálogo e formação.

Depois, no dia 12 o papa visitou a Comunidade da Fazenda Esperança especializada na recuperação de dependentes químicos de todas as idades, mas tem sua maioria jovens.

Estes foram ao meu ver os maiores feitos do papa no Brasil. Fazendo despertar nos jovens o olhar para uma nova perspectiva e mostrar à sociedade que ainda há jovens de fé, que lutam pela família e pela fraternidade. E os jovens devem aprender a divulgar essa mensagem a outros, buscando não aumentar o número de fiéis de uma determinada religião, mas sim conscientizar outros jovens da necessidade de uma sociedade mais fraterna e que valorize mais a família.

“Esse dever missionário não pode resultar num enfraquecimento de nossa convivência pacífica na pluralidade das culturas e religiões em nossa sociedade. O diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como o diálogo da fé com a razão, com o mundo das ciências, com as culturas, (…), deve ser promovido e cultivado. Em particular, as três grandes religiões monoteístas, o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, devem dar testemunho de respeito mútuo, de convivência pacífica e de colaboração em favor da paz e da construção de uma sociedade justa, fraterna, próspera e sem violências.” (PUC)

É isso!

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