Não é só o ‘Curintia’ que caiu em 2007. Ontem, o Senado não conseguiu aprovar a prorrogação da CPMF, que será extinta no dia 31 deste mês. A Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, o único imposto insonegável deste país, não vai existir mais.

O governo bem que tentou, negociou com a oposição várias formas como por exemplo: reduzir o valor do imposto, destinar 100% para a educação, extinguí-lo em 2009. Nenhum destes argumentos convenceu os senadores opositores que acabaram por votar ‘Não’ na proposta de prorrogação. O placar final ontem foi 45 sim, 34 não. O governo precisava de 4 votos a mais para vencer.

Algumas opiniões minhas a respeito da CPMF:

1. Devemos lembrar que a CPMF foi criada pelo governo do PSDB e PFL (hoje DEMocratas), em 1993 (o presidente era Itamar Franco e o ministro da fazenda era o FHC) como IPMF e transformada em CPMF em 1994. No começo todo o valor deveria se destinar à Saúde, mas, no governo do mesmo presidente que a criou, que foi re-eleito, a partir de 1999, com a Emenda constitucional 21, a CPMF passou a destinar parte de seus recursos a previdência social e a erradicação da pobreza. Portanto, dizer que a CPMF é um instrumento do presidente Lula para ganhar votos através do Bolsa Família é burrice e ignorância. Ele está cumprindo o que manda a lei acerca do destino da CPMF.

2. A CPMF é o único imposto (ou contribuição) neste país que é insonegável, pois é debitada diretamente na fonte, pelos bancos, desta forma atinge a todos (sejam PF, PJ, etc.). Além disso, sua forma de arrecadação contribui para fiscalização e rastreamento de contas bancárias, o que facilita e permite investigações contra fraude ao sistema financeiro e de arrecadação de tributos.

Até alguns meses atrás, eu era contra a CPMF por achar que era mais um imposto qualquer. Depois de estudar um pouco mais o assunto mudei minha opinião. Por ter valor proporcional e incidir sobre todos, a CPMF é o imposto mais justo que poderia existir. Na minha opinião deveria-se definir a CPMF como definitivo, numa taxa de 1% e extinguir todos os demais impostos. Com isso, quem tem mais dinheiro paga mais, e quem tem menos, menos. Assim teríamos menos impostos sobre produtos e serviços, o que reduziria os preços tornando-os mais acessíveis e com a cobrança insonegável sustentaria-se o montante da arrecadação necessária para manutenção do Estado e suas políticas públicas, em todas as áreas.

Nota, essa é uma opinião particular, sem um profundo planejamento econômico, visto que não sou economista. Se você tem outra visão sobre o assunto ou um ponto crítico a revelar sobre o pensamento acima, basta deixar um comentário.

Sobre a votação de ontem, quem perde, no momento é o governo e a camada assistida pelos recursos oriundos da CPMF. Ganha a elite que tem mais e principalmente, que sonega mais.
Menos mal que foi aprovada ontem também a prorrogação da DRU. A Desvinculação das Receitas da União permite ao governo re-destinar 20% da arrecadação de outros impostos e contribuições para outras finalidades que não os originais daquele tributo. Assim, o dinheiro que não será arrecadado pela CPMF a partir de 2008 para Saúde, Previdência e Erradicação da Probreza poderá vir de outras contas da União. Porém, exigirá um esforço para se enxugar os setores de onde sairão estes recursos.

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